Santa Rendeira

Por uma moda menos ordinária

Sobre o futuro das revistas de moda e + reflexões aí 28/05/2010

Filed under: Cultura,História da Moda,Jornalismo de Moda — santarendeira @ 16:57

Então, às vezes eu escrevo de menos, às vezes demais. Hoje é demais, tá?

E aí que estes tempos de iPad retomam uma discussão que nós, jornalistas, já ouvimos há algum tempo: no futuro, ainda existirão revistas e jornais, assim de papel? Ou nossos empregos vão sumir esmagados pela supremacia da internet?






Eu venho contando aqui que ando bodiada com a moda e tals, o que é bem normal para uma pessoa inquieta e um tantinho acelerada como eu. Enjoa, e depois passa. Eu, como a moda, sou cíclica, hahaha. Pois bem, andava nessa maré baixa com a muódas porque tava achando tudo uma mesmice: zilhões de blogs e portais falando das mesmas pautas, revistas e editoriais comedidos… Até mesmo falar sobre esse suposto marasmo virou clichê: tudo que é blog por aí faz “protesto” por pautas blogueiras melhores, por menos palavras em inglês (o que diria Dallari, meu professor de linguística lá no meu 2o. ano de PUC), sorteios de convites de desfiles… Enfim, NORMAL. É um momento, tanto o meu como o da modas.


Anyway, algumas poucas coisas me devolveram o ânimo. Sem querer puxar sardinha pro meu lado, a própria Homem Vogue que está saindo do forno. E nem falo dos meus textos, hein? Falo sim da nossa equipe, que aborda com maestria a moda masculina e temas culturais e jornalísticos em geral. Prefiro ler textos que aprofundam a informação, sabe? Daí li hoje no WGSN um texto que tem tudo a ver com esse meu momento enquanto consumidora de mídias de modas. E, bem, esse texto deu até um ânimo com a moda de novo.


Fala sobre o futuro das revistas. E AÍ, GENTE, SERÁ QUE REVISTAS DE MODA SOBREVIVEM NESSA GERAÇÃO IPAD-REALIDADE?


Ok, não dá para prever ao certo, we know it. Mãs, super dá para ter uma ideia. Eu já havia estudado/pensado um pouco esse tema nos tempos de Curso Estado de Jornalismo – claro que pensando mais em jornal. Mas dá para associar as duas coisas. E em ambos os casos eu digo que ACHO QUE AINDA NÃO. Ou seja, continuaremos a ter nossas revistinhas, hehehe. Ufa!



MINHAS ESPECULAÇÕES SOBRE O FUTURO DO MERCADO EDITORIAL DE MODA

MÃS, as coisas devem mudar. Tanto na minha pesquisa sobre o futuro do jornal, que envolveu diversas entrevistas com agências de publicidade e todos os setores do jornal O Estado de S.Paulo, como a matéria do WGSN, é possível perceber que esses veículos de mídia impressa vão ter que mudar.


As vendas nos formatos atuais vêm caindo. As reformulações nos principais jornais do País (Folha e Estado) já são visíveis para nós leitores: novos cadernos, novos projetos e o fim de alguns. Nas revistas, tô percebendo a coisa toda mais lenta. Fato é que no ano passado a queda nas vendas de revistas foi generalizada. Nos EUA, só a Vanity Fair experimentou um leve crescimento [nesse segmento de que estamos falando]. Humm, por que será que a Vanity, hein? Será por não ser só de moda, por não ser voltada apenas para um gênero, e ter um perfil mais unissex? Por conseguir economiza no papel – e o leitor não liga para isso? Prematuro dizer, mas bom para se pensar.





E daí que embora talvez em ritmo mais lento do que o jornal – que é, de todas as formas, um meio mais dinâmico –  as revistas estão percebendo e começando suas mudanças. A relação com a internet talvez seja a mais gritante. É provável que cada vez mais esses veículos desenvolvam seus sites e promovam interfaces, relações entre conteúdo impresso e online.


Isso vai ser bem importante, uma vez que as pesquisas mostram que não deve demorar tanto para que os gastos publicitários com a internet superem os gastos com os impressos. Para driblar essa história toda, é importante que cada vez mais o conteúdo se torne segmentado e personalizado. Ou seja, que haja cadernos/ seções bem específicos e até que no futuro, o assinante, por exemplo, possa escolher o que vai receber em casa.

Quase desnecessário dizer, que nesse veículo segmentadinho, a informação deve ser aprofundada, talvez até mais opinativa, para que seja diferente da informação rápida que qualquer um pode ter durante o dia na internet.  Outro fator importante deverá ser a participação e maior interatividade do leitor nas plataformas online. Assim, além de incentivar a leitura por parte deste, dá para conhecer melhor suas vontades, né?

PARTICULARIZANDO PARA AS REVISTAS DE MODA


Em termos editoriais, eu acho que já dá para notar um pouco dessas mudanças no mercado editorial brasileiro de moda. Temos uma nova revista de moda masculina e esse é um sinal de segmentação, não? Além disso, minhas percepções dentro de uma editora que só publica revistas de moda são as seguintes:

–      Há uma busca pela maior identificação com o leitor: mulheres mais “reais”, [um pouco] menos magras, maior aproximação da ‘moda de rua’, modelos olhando para o leitor.

Antes eu implicava um pouco com essa história da Vogue Brasil não ser tão “de vanguarda” quanto eu acho que poderia ser. Mas pensando sobre isso, percebi que essa necessidade de identificação existe mesmo – e é muito válida. Afinal de contas, não adianta colocar lá coisas modernérrimas mas que não têm nada a ver com a mulher brasileira, ou que pode até criar um desejo, mas que depois será frustrado, por não haver [tantas] lojas assim para comprarmos aquilo.



Capa da principal revista de moda do País – “só” um pretinho básico



Não sei bem se é o caso, mas imagino ser um lado da moeda: talvez esse “conservadorismo” seja um pouco reflexo da tal da “moda brasileira”.  Porque é muito bacana termos estilistas com propostas incríveis, mas de [quase] nada adianta ficar batendo nessa tecla se o público consumidor/população ainda não chegou lá. Claro que não é para retroceder e nem para achar que não há espaço para o novo, jamais! Mas certamente me ajuda a compreender um pouco. E a pensar que  a moda no Brasil pode ir evoluindo [não só, mas também] com as revistas, e as pessoas se indetifiquem com isso, se interessem mais por moda, e um dia consumam mais moda, e se vistam melhor, e por aí vai.



Não? 😉







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2 Responses to “Sobre o futuro das revistas de moda e + reflexões aí”

  1. aninha Says:

    pode falar bastante Lê. Agente gosta!

    Então..acho que a revista sobrevive sim. Não tem coisa melhor que folhear as páginas e sentir o cheirinho. Eu adoro!

    Ahh…acredita que nunca li uma Homem-Vogue. Vou comprar desse mês :D.

  2. Ernani Says:

    Na minha modesta opinião, as revistas sobrevivem enquanto houver gente com grandes opiniões, como vc! Parabéns pela reflexão, Papa! bjoca


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