Santa Rendeira

Por uma moda menos ordinária

meus pitacos sobre a semana de moda de londres 07/10/2009

Filed under: Passarela — santarendeira @ 19:28

Foi isso que eu achei e escrevi no meu textinho semanal para a Paradox:

Ora, ora, eis que a London Fashion Week se encerra… cheia de tendencinhas? É isso mesmo, em tempos de crise, a semana de moda mais “louca” do mundo, não pôs tanto as manguinhas de fora. Sim, há novidades. Mas dá para ver claramente como isso se traduzirá nas lojas – o que nos cria desejo instantâneo.  E se é difícil falar em tendências quando se trata de Londres, desta vez fica claro que as cores de maquiagem – já conhecidas por make-up colors – aqueles tons mais clarinhos de  amarelo, roxo, rosa e laranja são quase unanimidade. Veja o que a Paradoxo mais gostou na semana, e considerou mais importante:

Basso&Brooke chegaram gritando: “vestidos, vestidos, vestidos e estampas, estampas, estampas”. Para Basso&Brooke é a volta das estampas, definitivamente. Várias estampas diferentes formam uma só e misturar estampas em p&b com estampas coloridas é truque esperto. A peça-hit é o blazer-vestido e nos pés, sapatinhos ainda pesados e que lembram babuches – não tem mais como fugir.

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Na Burberry, Christopher Bailey chama a atenção para os cáquis com glamour, em tecidos drapeados. E à anabela com meia. Teve na Triton, na Dior e agora aqui. Em meio aos cáquis, as tais make-up colors. O trench-coat, peça tão tradicional da marca, agora vira vestido. Aproveite o truque e recicle o seu. O shape cool para o corpo é o volumoso em cima, e seco em baixo – leia-se casaco de pele (prefira as fakes, claro) e legging. E se aqui não tem vez para a estampa, o negócio é logo monocromático.

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Christopher Kane aposta em mulheres discretamente lolitas – seus vestidos são fluidos, com uma inocente estampa xadrez. Mas têm recortes estrategicamente localizados, e aos poucos ganham partes estrutururadas e ombros marcados. Ora, ora, de repente, essa lolita fica mais forte. Há ainda espaço para transparências e rendas, em looks monocromáticos e que passeiam pelas make-up colors. No fim, a coisa pode ainda lembrar vestimentas orientais – a lolita vira gueixa nessa brincadeira de mulher inocente/poderosa.

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Já  na House of Holland tudo é descolado e divertido. Em vez das desmaiadas make-up collors, os poderosos neons; e vale passear por todas as cores do arco-íris: roxo, laranja, rosa, azul. Mas juntar rosa e laranja é mais legal. E mesclar tecidos, como couro e renda, ou jeans e renda, também é supercool.  As saias e vestidos predominam e vale até barriga de fora – ou ainda super transparência, mostrando mais, para quem tiver coragem.

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Em seguida, eis mais um que abusa das make-up colors e do cinto marcando a cintura – Jonathan Saunders. Depois de ver Londres, não quereremos mais viver sem esses tons de cor e nem o acessório. Saunders também trabalha outra tendência, a transparência – que desta vez (muito legal), aparece mais estruturada, em alfaiataria subvertida. Seguindo tendência novaiorquina, os sapatos estão, gradativamente ganhando delicadeza.

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Sempre um dos destaques da semana, a Luella também vem com cartela de cores suaves, mas que foge um pouco do óbvio das make-up colors. Há ainda espaço para estampa de bolas grandes – que junto com outros elementos garantem o ar moderno-retrô da marca.  E isso está muito forte nesta coleção. Vestidinhos de modelagem totalmente retrô apareceram intercalando-se com outros de modernas mangas bufantes. E outros ainda com volumes nas saias, em modelos estruturados que lembravam os vestidos bafônicos da Filhas de Gaia. Mas a estampa e as cores cuidavam de dar essa dualidade à peça: tem cara de nova ou de velha? Claro, que nessa brincadeira, vale misturar estampas. Mistura inteligente de cores também é o truque. A mulher Luella está mais inteligente – e graciosamente fina. Para não brigar com nada disso, o sapato é nude, olha a esperteza!

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Matthew Williamson, por sua vez, mostrou o novo jeito de usar brilho. Dá até para ir trabalhar, em visual total de tecido brilhante.  A combinação descontraída de cores não deixa a coisa ficar pesada.  Os tons nude dominam, assim como as saias e vestidos. Mas o melhor mesmo são as blusas com aplicações que lembram tachas grandonas, puro poder. Assim como vários outros estilistas desta semana londrina, ele mostra que ainda há espaço para as maxibolsas, desde que elas sejam carregadas nas mãos. Williamson deixa clara a idéia de Londres para a próxima estação: tenha pelo menos um vestido poderoso, de um tecido rico.

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Em Paul Smith, drapeados (de novo) e super bem elaborados.  E mais idéia de alfaiataria desconstruída – afinal de contas, Londres adora subverter. As moças desta primavera 2010 de Paul Smith gostaram tanto da idéia de um guarda-roupa masculino (as peças do boyfriend), que começaram a levar a coisa a sério: agora usam chapéus , gravatas e oxfords. O terno é completo, com colete e tudo o mais. Para as mais femininas, cores mais alegres e estampas florais. O crash de estampas está presente, inlcusive com animal prints, o que traz uma pegada étnica na segunda parte do desfile . Às vezes essa mulher andrógina quer ser só menina mesmo.

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Na sua marca Vivienne Westwood Red Label, a soberana  Vivienne mostra que ousadia e campo se misturam sim – uma camponesa pode muito bem mostrar a barriga, ou usar um poderoso shortinho de alfaiataria junto com o seu chapéu. E se uma de nós, mulheres da cidade, estivermos nos sentindo assim, é a esse visual a que iremos recorrer. A coisa depois retoma um ar urbano, com tecidos emborrachados e cores neon.  Só para depois retornar ao campo com estampas florais e uma mulher Westwood mais delicada que o normal. A maestria na alfaitaria segue. Quer novidades nesta área? Aqui é o lugar para se procurar. E detalhe para as Melissas nos pezinhos das modelos.

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_e teve ainda…

– Tecidos mais durinhos  e dourados – puro glamour. Jaeger London e Richard Nicoll fizeram e é uma ótima idéia para quem tem um festão para ir.

– Moda de rua sempre é a pegada londrina, e esta semana trouxe também mais idéias nesta área, desta vez até com cara esportiva:  Unique, House of Holland e PPQ tem as melhores.

– Estampas direto do futuro – futuro, vanguarda são bases da semana londrina.E desta vez essa característica ficou bem óbvia em algumas estampas – afinal até que a semana esteve bem recatada. Basso&Brooke e Josh Goot estão entre aqueles que ousaram na hora de estampar.

– Barriga de fora em combinações com calças cenoura curtinhas são mesmo hit. As mais discretas podem optar por cobrir o abdome com camisa transparente – outro must have londrino, para nossa sorte.

– Como já dissemos, um vestido poderoso é tudo.Tecidos ricos e de construção complexa são importantes.  Muito caros? Talvez, mas Londres propõe isso sabendo que seus seguidores são antenados em moda e sacarão que o lance será ter UMA boa peça dessas para ser combinada de maneiras diversas, reciclada…

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One Response to “meus pitacos sobre a semana de moda de londres”

  1. aninha Says:

    A Luella é um sonho, também gostei da Burberry. E não to acreditando ainda na volta dos Babuches, preciso parar de olhar isso antes q comece a gostar..rs


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