Santa Rendeira

Por uma moda menos ordinária

Viktor & Rolf 09/06/2009

Filed under: História da Moda — santarendeira @ 13:08

 

Vocês gostam tanto quanto eu?

 

A dupla de estilistas holandeses está junta há 15 anos. Nesse tempo todo, manteve sempre uma característica própria. Claramente, eles tentam ir na contramão, sempre. E têm conseguido tal  proeza, ao mesmo tempo em que se mantêm no mainstream. Tá bom, né? Acho que eles merecem uma retrospectiva. Aí vai:

 

Em 1993, a dupla lançou sua primeira coleção – a primeira após se formarem na faculdade. Ela foi toda feita no apartamentinho deles em Paris, e acabou ocupando todo o espaço. Essas primeiras criações de Viktor & Rolf exploravam camadas e a distorção.  Segundo eles, as silhuetas extremas que desfiguravam o corpo representavam a alienação por que passaram na cidade da moda; eles se sentiam diminuídos em Paris, e queriam se esconder da cidade debaixo das múltiplas camadas.

 

 

 

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Em 1996, cansados de sofrer com a obrigação de criar uma coleção nova a cada estação e frustrados com a pouca atenção que recebiam da mídia, os designers decidem sair nas ruas se autopromovendo. Eles enviaram pôsteres para editores de revistas anuanciando que “Viktor & Rolf” estavam em greve.

 

A primeira coleção de alta costura veio em 1998, quando eles compararam a atividade a um laboratório em que podiam experimentar livremente com suas idéias (mais ainda?). O momento especial os inspirou a apresentar looks que analisavam cada elemento do haute-couture: os tecidos, as cores, os acessórios, etc.

 

Também em 1998, mas no inverno, a dupla voltou-se para o fim do milênio e o que isso traria. Pensaram então em dois  cenários totalmente contraditórios: a maior festa do mundo e o fim do mundo.Com esses temas, criaram peças com o formato do cogumelo de fumaça da bomba atômica.

 

 

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No inverno de 1999, a dupla de estilistas apresentou a coleção Boneca Russa. Em vez levar diversas modelos para a passarela, uma com cada look, colocaram todos os looks em uma modelo só. Eles mesmos vestiram as roupas, uma em cima da outra, num efeito reverso de uma boneca russa.

 

 

 

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Os looks de Boneca Russa, que foram sobrepostos numa única modelo

 

 

Em 2002, a coleção Vida Longa ao Imaterial refletia o desejo de Viktor e Rolf de irem além do produto e criar algo que fosse imaterial. Para traduzir isso num desfile, e mostrar suas idéias sobre a natureza efêmera da moda, eles adaptaram a tecnologia “bluescreen”, tipo chromakey.  As roupas pareciam ganhar vida conforme uma filmagem de mundos urbanos e naturais se misturava com desfile.  

 

 

 

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2001 – tudo preto                                    2002 – tudo branco                                2002 – Vida Longa ao Imaterial


 

 

Em 2003, mais uma coleção de uma modelo só. Na verdade, havia várias modelos, mas todas pareciam com a atriz Tilda Swinton, musa dos estilistas. A coleção foi interinha dedicada à ela, que também desfilou.

 

 

 

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One Woman Show: todo mundo vira Tilda, inclusive Marcelle Bittar


 

 

No ano seguinte, mais uma idéia brilhante. Red Shoes, ou Sapatos Vermelhos, brinacava com a silhuetas masculina e feminina, e conseguiu misturar os dois símbolos de cada uma delas: o smoking e o vestido.

 

Em 2006, a coleção De Cabeça Para Baixo mostrou peças de alta costura que deveriam ser usadas ao contrário: na passarela, elas foram usadas do jeito ‘certo’ e depois de cabeça para baixo. Aplicando a mesma lógica absurda, a coleção foi apresentada de forma reversa, começando com a entrada dos estilistas, que normalmente acontece no final.

 

 

 

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Raquel Zimmerman em Red Shoes; primavera 2005; aina em 2005, “Bedtime”; em 2006, desfile ao contrário

 

 

Em 2007, eles apresentaram Salão de Baile. Eles descreveram os bailes como algo muito divertido, fácil e frívolo, mas que ao mesmo tempo são complicados e têm a ver com controle.  Para trasnsmitir isso para a passarela, usaram franjas e lycra ‘nude’, de um jeito “estrito” e clássico.

 

Em 2008, veio a Não. Para eles, as coleções obrigatoriamente refletem seus estados de espírito. E eles estavam cansados do caráter mercadológico que move a moda. Resolveram então dizer “Não, esta temporada, não”.

 

 

 

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Salão de Baile, inspiração holandesa em desfiel que quase derrubou as modelos, arlequins e Não


 

 

Genial, não? Para mim, eles são. Boneca Russa, No, Red Shoes…que estilista tem tantas coleções inovadoras? Para mim, poucos. E o bom humor da loja de ponta cabeça em Milão? Adoro. Bueno, não listei toooodos os desfiles para não ficar longo chato. Escolhi aqueles que considero mais significativos e que mais gosto. Hope you enjoyed it 2.

 

 

 

 

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Coleções mais recentes e a loja de Milão, de ponta cabeça

 


 

Foi isso.

 

: *

 

*** com ajuda do Barbican Centre.

 

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2 Responses to “Viktor & Rolf”

  1. Camila Says:

    Não tem como não amar, né?! incrível!
    beijo

  2. […] você ama V&R tanto quanto eu, clica aqui para relembrar um post só sobre eles! ❤ […]


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