Santa Rendeira

Por uma moda menos ordinária

O bastidor da imprensa brasileira 17/12/2008

Filed under: Jornalismo de Moda — santarendeira @ 14:25

O jornalismo de moda busca uma identidade nacional


Por Elica Pafume


 

Critica X Comentários

Crítica X Comentário

 

 

Falar de moda nacional significa pensar em um passado bastante recente. Antes da segunda metade do século XX, toda referência de moda no Brasil era trazida da Europa, inclusive as revistas direcionadas.

 

A busca da identidade nacional começou a atingir sutilmente o setor da moda por volta de 1930, com o surgimento dos primeiros nomes de criadores brasileiros, como Mena Fiala e Rosa de Libman. Mas, foi na década de 1980 que a moda nacional alcançou grande progresso, com a modernização da indústria têxtil e o desenvolvimento tecnológico.

 

Neste mesmo período surgiram as primeiras escolas de moda e junto com elas novos conceitos e talentos, que contribuem para a formação da identidade de moda nacional até os dias de hoje. A moda sem dúvida tem evoluído vertiginosamente, alcançando inclusive considerável repercussão internacional.

 

O jornalismo de moda por sua vez, acompanha e favorece esse desenvolvimento, movimentando grande número de profissionais, sendo na cobertura de desfiles, na produção de revistas monotemáticas ou mesmo espaços específicos para a moda nos jornais de maior circulação do país.

 

Com isso, surge uma questão bastante polêmica. Possuímos em nossa imprensa realmente uma crítica de moda ou somente comentários imparciais a respeito?

 

Quem acompanha a cobertura jornalística de moda, percebe facilmente que contamos com muito bons comentaristas, mas daí para chegar a crítica propriamente dita, torna-se necessário um conhecimento aprofundado sobre o tema abordado, uma vasta bagagem cultural sobre moda e um olhar questionador.

 

A crítica quando bem embasada, é realmente de grande importância para o desenvolvimento dos profissionais da moda, pois através dela, podem enxergar e sanar seus pontos fracos e chegar mais facilmente ao seu objetivo final, que é agradar o consumidor.

 

Porém, segunda a editora de moda da Vogue Brasil, Maria Prata, revelou em seu blog não tem certo e errado na crítica de moda. “Existem, sim, opiniões fortes e olhares distintos de especialistas que enxergam a moda a sua maneira e que sabem defender aquela opinião com forte embasamento. Porque no fim, o que importa mesmo é o olhar crítico e o desejo de consumo da compradora. Esse, sim, vai determinar se a coleção ‘funciona’ ou ‘não funciona’ de fato”, analisa.

 

Não é isso, no entanto, que pensa Tarcisio D’Almeida, doutorando em filosofia pela FFLCH-USP, pesquisador e professor do núcleo de moda da faculdade Anhembi-Morumbi, conselheiro editorial da revista acadêmica Dobras e pesquisador associado do Grupo de Estudos Sobre Moda da Universidade de Paris. D’Almeida decidiu pesquisar o assunto – que é o tema do seu trabalho de doutorado – quando, segundo diz, percebeu que não havia crítica de moda no país.

 

“São pouquíssimos os exemplos de crítica de moda no Brasil, o que temos são coberturas jornalísticas”, explica em entrevista exclusiva por telefone para o Santa Rendeira. “Além disso, nossa ‘crítica’ está demasiadamente presa a juízos de valor e à pessoalidade, o que a empobrece.” Mas, segundo ele, isso também se deve por ainda não termos trajetória e cultura de moda suficientes. De forma que se pode imaginar que, com o tempo, trabalho e estudo, isso aconteça.

 

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